Podcast Cena Cultura revela os caminhos da música da Mata Norte com João Paulo Rosa

Da bateria aprendida de forma autodidata à influência do Manguebeat, passando pelos terreiros de maracatu, a criação dos Ticuqueiros e os novos projetos autorais. João Paulo Rosa reuniu mais de duas décadas de experiências em conversa com Alexandre Veloso no Cena Cultura Podcast. O episódio apresenta diferentes momentos da cena musical da Mata Norte e discute a importância das referências locais, a formação de novos talentos e os desafios de produzir cultura no interior de Pernambuco.
A trajetória começou com latas e caixas de papelão transformadas em instrumentos. Ao ser questionado pelo comunicador sobre os primeiros contatos com a música, o nazareno contou que aprendeu observando instrumentistas na televisão e acompanhando bandas de baile que circulavam pela região. “Eu não comecei diretamente na bateria. Comecei na percussão”, recordou. Samba-reggae, pagode, axé e trios elétricos também fizeram parte desse percurso antes da aproximação com os batuques populares.
Uma mudança importante aconteceu na segunda metade dos anos 1990, quando o contato com Nal Caboclo e a descoberta de Chico Science & Nação Zumbi e Mestre Ambrósio fizeram o percussionista direcionar os ouvidos para as manifestações do próprio território. Maracatu rural, bloco rural, coco e ciranda passaram a integrar suas vivências e criações. “O que está mais perto é o que apresenta o seu território onde quer que você chegue”, afirmou ao defender que as novas gerações conheçam e pesquisem os sons produzidos ao seu redor.
Desse ambiente surgiram os Ticuqueiros, criados em 2001 a partir do encontro entre referências da cultura popular e o rock. Durante o bate-papo, o compositor relembrou discos, festivais, a retomada da banda e explicou as diferenças entre trabalhos como Coco de Engenho, Banda Tercina e João Paulo Rosa e o Eito. Também falou sobre pesquisa, produção literária e os caminhos para quem deseja construir uma carreira. “Não tenham medo. Produzam, façam. Escrevam suas ideias, mesmo que pareçam simples, pois, se é seu, tem valor”, aconselhou.
Com setembro abrindo o período de ensaios, sambadas e preparação dos maracatus para o Carnaval, a conversa chegou ao lugar onde parte dessa história continua sendo produzida: os terreiros da Mata Norte. “Quem quiser conhecer a nossa verdade precisa vivenciar o terreiro, visitar, escutar as apresentações e conversar diretamente com os mestres”, defendeu o batuqueiro. Com incentivo da Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, o Cena Cultura Podcast disponibiliza a íntegra do programa, em áudio e vídeo, gratuitamente no YouTube.
Salatiel Cícero
Assessor de Imprensa





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